Confissões em um Divã

O verdadeiro esconderijo de meus devaneios

10:06 PM

Out black

Mais um devaneio de Thaise de Melo |

Faltou luz.

E logo os olhos começam a enxergar formas luminosas no breu, e tão logo corremos pra caçar o celular pra iluminar o caminho e ver se achamos alguma vela ou lanterna. É assim que lembramos para que as velas servem. Quando acaba a eletricidade nos damos conta de como somos dependentes, e ainda percebemos que se não fosse por ela não teríamos mais da metade dos apetrechos que temos em casa. É fácil reparar que nós somos movidos a eletricidade. Não posso assistir televisão, não tem como acessar a Internet, meu telefone não liga, o celular não tem bateria, não dá pra dormir sem ventilador, não posso ligar o ar condicionado, os semáforos não funcionam, as câmeras não vigiam, não tenho despertador... e assim vamos declarando a nossa inutilidade e falta de imaginação.

Acabou luz.

E logo os ouvidos se incomodam com o zumbido do silêncio. O fato de sermos capazes de escutar nitidamente o tic-tac do relógio, aquele relógio da cozinha que nós não lembrávamos que fazia barulho porque a TV ou o rádio sempre altos o abafava, atordoa.

Não há o som da televisão do vizinho, do ventilador, do ar condicionado, de carros passando toda hora na rua. E é assim que descobrimos que pedimos por quietude, mas a quietude nos constrange.

Teve apagão.

“Mãe por que só no ônibus tem luz?” “Porque lá a bateria não é ligada à luz daqui, oras”. E descobrimos que nosso instinto é o mesmo das moscas, mas por sorte somos maiores e mais resistentes e quando encostamos nas lâmpadas não morremos queimados.

Está escuro.

E assim sentamos sozinhos ou em grupos para esperar a luz elétrica voltar. Porque sem luz nossas baterias não funcionam e não nos resta fazer muitas outras coisas além de esperar pacientemente. E quando a luz volta, é certo, que voltamos imediatamente a nossos lugares e ligamos tudo, inclusive nós mesmos, para retomarmos nossas vidinhas iluminadas.


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Pois é...
Teve apagão, mas quem se importa além daqueles que tiveram alguma avaria?
Amanhã o assunto já acabou mesmo... a mídia é que insiste em martelar em notícias sem importância.
Mas tô escrevendo aqui pra dizer que EU GANHEI UM SELO =D
Fiquei feliz sim!
E agradeço ao Rui Felipe
(o autor do verso escrito no canto direito superior do blog).

O selo:
[SeloEx2.jpg]

E indico os blogs:

Beijos.
Fiquem em paz.

3 Análises:

Rui disse...

Sabe que gostei desse apagão. Tudo ficou mais calmo, mais silencioso. Parece que estramos em outro plano. Como você disse, mostrou o quanto somos dependentes da energia elétrica.
Esse apagão fez pensar. Como viviam nossos antepassados???? Será que a tal modernidade é tão boa assim???
Será que viver sem energia era tão ruim???

"me interessa o que nao foi impresso e continua sendo escrito à mão, escrito à luz de velas, quase na escuridão, longe da multidão" Engenheiros

O último poema falo sobre reencarnações, sobre as coisas que se repetem de vida em vida. Mundam as épocas, os costumes, etc. Mas sempre repetimos os dramas com as mesmas pessoas. Quando falo de amores efêmros é pra mostrar o quanto tudo é passageiro, tudo finda em nossas vidas.

Sabe, tenho dificuldade de ser claro nas coisas que escrevo rs, tbm nao me preocupo em explicar depois que está postado, mas vc merece rs

Deisinha Rocha disse...

perdoe-me pelo desleixo...
mas correria de fim de semestre é um inferno...

agradecidissima pelo selo...
além de ser fofo...

quanto ao apagão, nem percebi...
aqui em brasília, além de não ter tido, acho q foi na época em q fiz uma viagem rápida à BH...

mas enfim, é interessante como somos ligados à energia...

de fato, não se falta luz à toa... há sempre motivos que o propositaram...

independente de qual tenha sido...
bjOocas fofas, flor!

Rα i sα ~ disse...

Para as bandas de cá não rolou apagaão - no máximo, a luz piscou tão sútil que, se reclamaram, foi por pura birra.
Enfim...
Porém eu estudei na faculdade outro dia - em um texto desses acadêmicos super viajosos - o papel da luz elétrica pra comunicação e tal... E aí ele falava que nós nunca nos damos conta da importancia da energia, nem paramos pra pensar em como ela chega aqui, o que está para além das tomadas - a não ser quando algo dá errado.
Então foi até bom o tal apagão. Pra todo mundo repensar as ausencias... não sou de[ssa] luz.

Me empolguei, né? rs
Beijinhos