Confissões em um Divã

O verdadeiro esconderijo de meus devaneios

9:53 PM

Tudo muda o tempo todo no mundo

Mais um devaneio de Thaise de Melo |

Sim, como diz o título e como os seus olhinhos já puderam perceber o 'Confissões em um Divã' tá de cara nova, agora está tudo mais clean e há mais espaço na coluna de textos, achei isso melhor, antigamente os textos ficavam visualmente kilométricos e isso me incomodava...
Sou inconstante á beça e isso se reflete nesse meu pequeno espaço na web, bem não sei porque sou assim, mas sei que mudei o layout porque comecei a achar que o anterior estava depressivo de mais, até pra mim (se é que me entendem).






Mudando de assunto, mas ainda sim falando de mim:
- Passei os últimos 4 dias em um universo paralelo, numa outra dimensão qualquer que eu gostaria muito de reencontrar, dois dias com amigos (antigos e novos) e dois dias no meio da natureza - fiquei feliz - mas hoje voltei a realidade, assim: nada melhor que uma fila de banco no início do mês para nos mostrar o quanto o mundo pode ser real e chato... Mas ainda estou feliz, o coração tá bem e mais contente que o comum sabe, ele tá batendo bem, digamos assim sem querer dizer.
Não gosto da história de "Crepúsculo" e afins (essas histórinhas de vampirinhos apaixonados não são pra mim), mas hoje li o prológo e uma frase ajudou esse meu estado de felicidade fundamentada, era algo assim: "Quando a vida lhe oferece um sonho muito além de todas as suas expectativas, é irracional se lamentar quando isso chega ao fim."
Depois que li isso parei de reclamar e voltei a sonhar acordada.

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Beijos
Fiquem em paz.


3:44 PM

Qual é o seu nome?

Mais um devaneio de Thaise de Melo |


Era uma tarde de outono, ventava frio e o céu estava claro. Ela estava sentada num banco de madeira no meio do parque lendo um livro. As árvores balançavam e as folhas amareladas caiam em volta. Ele se sentou ao lado dela, com seu casaco pesado e acendeu um cigarro. Ela percebeu que ele havia sentado, interrompeu sua leitura e olhou fixo a fumaça.

- Desculpe-me. A fumaça te incomoda?

- Não. Na verdade não.

- Ah. É porque você olhava tanto para ela.

- Eu gosto dela. Me lembra dois extremos. Consigo ver almas fugindo e anjos voando.

- Como assim?

- Na fumaça que sai. Ela sai rápida e fina, depois se expande e continua a subir. Vejo como se fossem almas que estão fugindo de algum lugar, e sobem como se não quisessem voltar jamais. Mas também vejo anjos, que saem e fazem vôos rasantes, e passeiam até que voltem para o céu. Eu gosto dessa fumaça.

- Nossa! Isso é novo pra mim. Para não dizer estranho.

- Eu sei... Vai ver eu sou novidade.

- Para mim é. Nunca tinha visto alguém que gostasse de fumaça de cigarro.

- É belo, basta saber olhar.

E ela voltou a ler seu livro, como se nada tivesse acontecido e o silêncio pairou no lugar, o vento era o único som audível, como que por milagre no meio de um parque no meio da cidade. Ele parou de olhar a fumaça do cigarro e se apavorou ao perceber isso. Ela não se importou.

- Vai acontecer uma chuva de meteoros hoje. – Ele disse.

- Por quê?

- Porque a Terra vai passar pelos restos de um cometa que eu não lembro o nome, e os escombros vão parecer estrelas cadentes vistas daqui.

- Você quer dizer que algo explodiu e vai cair na Terra?

- Basicamente isso...

- E você não tem medo? Num dizem que foi assim que os dinossauros morreram?

- Quando chegarem aqui não farão nenhum mal... Se chegarem...

- Como assim?

- Geralmente os pedaços do cometa se desintegram antes de chegar no chão.

Ela ficou quieta e o silêncio novamente parou no lugar, ele pensou em quebrá-lo de novo, mas ouviu uma buzina de carro e se acalmou, como se o barulho lhe fizesse se sentir seguro – ele não sabia qual a ligação entre barulho e segurança, mas preferia saber que existia poluição e civilização ao redor – e acendeu outro cigarro.

- E as pessoas não fazem pedidos a estrelas cadentes? – Ela perguntou subitamente.

- Fazem, oras...

- Por que as pessoas insistem em confiar em tudo que é decadente?

- Talvez porque elas pensem que tudo que vem do alto é superior.

- Mas elas também jogam moedas num poço bem fundo...

- Talvez as pessoas queiram apenas acreditar em algo que mostre que elas não sejam tão vazias ou pessimistas...

- Então, pra você, as pessoas desejam tudo pra qualquer coisa, só pra não se sentirem vazias?

- Ou só para dizerem que tem fé... Entenda do jeito que quiser...

- Tinha me esquecido da necessidade de fé das pessoas...

- Não se preocupe a maioria das pessoas ou esquecem que tem fé ou são loucas de tanto tê-la...

- Entenda como quiser... Não é mesmo?

- É. É loucura, não se preocupe.

- Talvez os loucos não passem de incompreendidos.

- Não acredito muito nisso, loucos são loucos.

Uma sucessão de buzinas começaram a tocar cada uma em um tom e volume diferentes parecendo uma orquestra sem maestro.

- Você não acha loucura essa barulheira da cidade? Adeus. – Ela disse.

Ele ficou parado olhando pra ela, como quem vê um milagre e ainda assim não acredita. Ela se levantou pegou o seu livro e foi andando em direção a saída. Ele foi acompanhando ela com o olhar, até perdê-la de vista. Então, ele deu a última tragada no seu cigarro e se levantou para retomar seu caminho, e percebeu que apesar de todas as perguntas sem sentido ele não havia feito a mais comum delas...

- Isso é loucura! – Ele se pegou exclamando baixinho.

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Não, eu não cometi suicídio.

Sim, minha fase Macabéa passou e eu estou melhor. ^^

Bem mais um texto sobre loucura...

Acho que esse divã vai sair do consultório do psicólogo e passar para um psiquiatra.

Bem, desculpem a demora pra atualizar é que eu não estava escrevendo nada que prestasse, e sempre que isso acontece eu prefiro não postar á postar uma boboseira qualquer.

Beijoos.

Fiquem em paz.


11:45 PM

Ser como Macabéa

Mais um devaneio de Thaise de Melo |


Tem dias, como hoje, que eu gostaria de ser Macabéa. Ser um ser não pensante, não raciocinante. Alguém que nem faz idéia que existe e que é. Ser, apenas, mais um ser no meio de tantos outros seres indiferentes á existência de qualquer ser que esteja ao seu lado. Porque o pensar e o raciocinar machucam a mente e a alma. Porque esse ato insano nos leva a indagar os por quês inerentes as questões dolorosas e supérfluas.

Quem se indaga, quem se questiona, quem se entende acaba por ser perder no meio de todo o conhecimento e se confunde ao ponto de se convencer de que nada sabe sobre si e sobre os outros. Agora, quem nunca se pergunta por que veio a esse lugar e pra que tem serventia aqui, sempre sabe o que fazer e pra onde ir. A rotina move essa gente sem entendimento, sem questionamento. Quem não entende nada, porque se perdeu nos seus conhecimentos, é que não deixa a rotina em paz, a persegue até conseguir fugir dela. Então veja só, quem vive a procurar se encontrar persegue algo que, na verdade, quer distância. Eu afirmo, sem sombrear dúvidas, quem procura de mais se encontrar se perde nos seus entendimentos, se confunde. Toma caminhos sem volta, e acaba nunca voltando na estrada da vida.

Quem é como Macabéa não tem pra onde ir, e por isso não se perde, porque não tem ponto de chegada, então a qualquer lugar que chegue, chega. E esse povo nem tem pra onde voltar porque não saiu de lugar nenhum. Esse povo na sua simplicidade ignorante é feliz e pleno. Porque não sabe o que é felicidade e não sabe aonde pode chegar, então tudo que são os faz assim.

E eu gostaria de ser assim, não digo sempre porque a minha mente não suportaria, já ficou tempo de mais perdida nos conhecimentos tolos de quem nada sabe porque já se confundiu, mas eu gostaria de ser assim por algumas horas, quem sabe.

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Acho esse texto meio confuso.
Foi algo como o desabafo de um pensamento.
Fiquem em Paz.


3:26 PM

3x4 do Mundo

Mais um devaneio de Thaise de Melo |


O mundo tem mudado. E essas linhas são apenas um comentário.

No Brasil um sindicalista de classe média se tornou presidente, após anos de homens de classe alta e militares. Nos Estados Unidos a vida imitou a arte e um presidente negro comanda a Casa Branca, por mais contraditório que pareça. A Bolívia é presidida por um aimará, o qual, apenas, a segunda língua é o castelhano. A Argentina não tem um presidente, mas uma presidenta. Quem diria que na Índia aconteceria o mesmo? E no Iraque o grande ditador caiu junto com suas estátuas em frente ás câmeras e telas de milhares de pessoas.

Há dez anos tudo isso não passaria de ficção cinematográfica. Parece que a Terra tem muito mais movimentos que rotação e translação.

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Estive pensando nisso nesses dias, não sei porque.

Além dessas, aconteceram outras coisas que mostram

que o mundo tem mudado, eu sei, mas como eu disse:

Isso não passa de um comentário.

Beijos

Fiquem em paz.

7:56 PM

Cacos

Mais um devaneio de Thaise de Melo |


Mais uma noite eu passei sem dormir e agora a sirene da fábrica toca, são sete da manhã. Sentada aqui eu posso vê-la acordar através da porta de vidro da sacada de seu quarto. Sua camisola de seda alva e desajeitada cobre seu corpo moreno, sonolento e amarrotado, ela passa as mãos pelos cabelos lisos, negros e desgrenhados e então some lentamente, talvez tenha ido ao banheiro ou a cozinha. Odeio quando ela desaparece da sacada, fica aqui comigo o desejo de acompanhá-la, de segui-la, a vontade de estar nela. Será que hoje ela vai encontrar outra ou uma que não seja eu? Então ela reaparece, veste uma calça, que parece jeans vista daqui, e uma blusa branca que contrasta a pele de índia e então desaparece como se fosse para sempre. A mim resta meu quarto, a xícara de café e o desejo. Desejo esse que me toma, vontade absurda de ter o outro corpo sobre o meu corpo, de sentir todos os cheiros, de tocar toda a parte, de beijar todo comprimento.

Lamento não poder segui-la, então me levanto e vou arrumar algumas coisas na cozinha. Agora é minha vez, troco de roupa e vou para o escritório. Da janela do 32° andar de um prédio no centro da cidade eu ainda consigo avistá-la atrás do vitral. O desejo é inconseqüente, inconsciente e irracional, me possui sem pedir e eu me entrego sem lutar. Durante algumas horas faço meu trabalho, e durante várias outras penso nela, e escrevo sobre ela e desenho ela. É ela que eu quero. E pensar que nem nunca troquei uma palavra, que nunca senti o cheiro. É proibido passar do vidro, algo dentro de mim repete. Chega o fim do meu expediente e no trem eu volto pra casa pensando e imaginando e sonhando.

Mas, pior que o amanhecer que a afasta de mim é o anoitecer que nos reúne e malditas as noites em que ela não volta só. Malditos os outros corpos, dedos e línguas que a invadem, malditos os narizes que a cheiram e roubam essas suas essências. Malditos meus olhos que observam os outros corpos em cima do corpo que desejo meu e nessas horas malditos os meus dedos que me tocam desejando o prazer alheio. Maldito o gozo, meu e dela. E novamente amanhece e aquele corpo moreno que nem é tão perfeito e aqueles olhos castanhos e inchados e aqueles cabelos desgrenhados levantam sem saber que há quem os ame e observe e principalmente quem os deseje através daquele vitral santo, santa tela pintada pelo destino e seus pincéis finos. Aquela porta que na verdade é um portal para desejos mórbidos. Eu sei pelo o que ela procura quando volta com aquelas pessoas quaisquer, eu sei que tudo que eu sou, conheço e faço é o que ela procura, porque ela é perfeita pra mim e eu a conheço melhor que qualquer um. Daqui eu sei quando ela chora e quando ela ri, quando realmente tem prazer e quando apenas finge. Mas ela só não sabe que eu sei e sou tudo isso.

Então, novamente anoitece e novamente não durmo. Ela volta se ajeita e dorme. Novamente eu sento e a observo, mas uma das mil noites que vivo esse insano amor de desejo e obsessão, mas hoje ela voltou só, então hoje é dia santo. Abro uma garrafa de uísque para comemorar a vitória insana, o álcool desce doce. E nessa doce madrugada que indica mais uma batalha vencida, eu desço, cambaleando, as escadas e me ponho a andar pela rua de paralelepípedos, tropeço em uma pedra, abro um sorriso, me abaixo e a pego e a seguro firme nas mãos. Volto pelo mesmo caminho que fui, paro em frente ao perfeito vitral, contemplo-o mais uma vez – o meu portal de prazeres – e arremesso a pedra com toda a força que dispunha. O choque da pedra fez um barulho como de um trovão e o vidro estourou em uma chuva de cacos esverdeados. A chuva mais bela e refrescante que eu já vi e senti. Então fiquei parada no meio da rua observando.

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A atualização do mês.
Aprecie cada palavra aqui. =)
Fiquem na paz.