Confissões em um Divã

O verdadeiro esconderijo de meus devaneios

10:49 PM

Um Cigarro

Mais um devaneio de Thaise de Melo |



Então venha
Não escute o que digo
Me tome nos braços
Desfaça seus laços
Faça o que eu preciso

Uma noite e nada mais
A eternidade pode ser fugas
Eu juro que não quero teu abrigo
Fique quieto e venha comigo

Quando a luz vier à tona
O desejo terá ido
Teu corpo voltará a ser proibido
Então me esqueça...
Foi apenas mais um cigarro.



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O poema... Sim! É um devaneio

E daqueles longes e longos.

Beijoos!



Ps: Saudades do meu canto.

12:37 PM

Burrada

Mais um devaneio de Thaise de Melo |




- Não posso mais viver sem você! Isso é fato. Droga! Como pude deixa acontecer? Logo eu que não gosto de depender de ninguém, fui depender de você para ser feliz. Como fui burra de me deixar encantar por esse seu jeito quieto, calmo, por essa sua voz baixa, esse sorriso bobo, esse abraço quente. Eu sou uma imbecil mesmo! Ser fisgada por alguém completamente diferente de mim, que não gosta de nada que eu gosto, que não repara em nada, que de repente diz tudo que eu precisava ouvir e me deixa com cara de boba e um sorriso que não se desfaz facilmente. Ainda não acredito que fui cega o suficiente para não enxergar que sempre sentia falta do teu calor e da tua voz, que me perdia pensando em teus beijos, e que a falta deles me fazia adoecer. Fui tola e acabei acreditando arduamente em todas as tuas juras e promessas e agora já não consigo deixá-las. Ta vendo no que deu? Acabei como uma dependente, como uma burra, cega, tola, como uma menina completamente apaixonada.

E depois de ela ter dito tudo isso aos berros e com um tom de desespero, ele riu o sorriso mais sacana e disse:
- Eu te amo, sabia.


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- Você já fez essa burrada?

Beijos.

12:46 AM

Para a volta

Mais um devaneio de Thaise de Melo |


Quando voltar
Dê-me teu abraço mais apertado
Teu sorriso mais safado
E teu beijo mais molhado

Chegue como se nunca tivesse ido
Diga que eu sou teu melhor partido
Confesse que não vive sem meu abrigo
E, assim, desperte todo libido

Esqueça o que não é permitido
Se atire sem pensar no perigo
Lembre-se do que foi prometido
E só depois, podes voltar ao meu coração.

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Tirando as teias de aranha...
Esse poema me lembrou aqueles sambas beem antigos...

10:43 PM

Caçadores de Tristezas

Mais um devaneio de Thaise de Melo |


Escritores são criaturas lúdicas porque precisam de algo involuntário para fazer sua arte, precisam da voz da alma, mas a alma se expressa de diferentes formas e é de falar pouco e com poucos. Há almas que para falarem basta um cigarro, um pouco de silêncio. Outras precisam de um certo alguém. Entretanto, há almas que só falam pelas lágrimas, e os que as possui, sempre terminam como caçadores de tristezas. A alma dos caçadores de tristezas só falam quando doem, e eles só escrevem quando tudo parece terminado, e quando acontece, gera alívio. O caso sério acontece quando estes estão alegres, satisfeitos, plenos, a alma emudece, se encolhe, parece até que some, dificilmente há uma boa expressão da parte do artista. Então eles começam a “procurar” a tristeza, porque sentem a necessidade de escutar a alma novamente. Pode parecer insano aos que não entendem, súbitas irritações, buscas pela perfeição inexistente, insatisfação com tudo, auto-abandono, distanciamento... Até a alma voltar a gritar e o escritor conseguir sentir todo o pesar se esvair, sentir a leveza novamente. Os caçadores de tristezas tentam o equilíbrio e se prendem a um limbo, entre a felicidade e a tristeza oscilando entre tentar viver e ouvir a alma, sem se entregar. Mas não pense que os caçadores de tristeza gostam de ser triste, acontece que a alma deles fala um idioma diferente de todos os outros.

11:11 PM

Perto do mar

Mais um devaneio de Thaise de Melo |


No último final de semana eu viajei para Saquarema, para o chalé de uma amiga da minha mãe. Já fazia oito anos que eu não ia aquele lugar. O chalé fica distante da praia uns 20 metros. Eu já tinha me esquecido como era ficar tão perto do mar. Voltei daquele lugar com a cabeça pensando sobre eu e o mundo e sobre o mundo.

Domingo (meu aniversário, diga-se de passagem) durante a tarde resolvi sair para andar, acabei indo andar na areia da praia, e ás vezes chegava perto do mar para sentir a água nos pés. O dia estava com o céu das 4 da tarde limpo, mas com um vento gelado, a água do mar estava quente e a praia só não era vazia completamente por conta de uma ou outra pessoa que passava se exercitando, em resumo a praia estava perfeita, ao menos para mim, praia só é boa no inverno ou às 6 da manhã no verão. Pois bem, eu fique andando pela praia ouvindo algumas mpb’s no celular e pensando como era bom sentir a areia fina e fria nos pés, no primeiro momento que coloquei o pé naquela areia me veio de súbito uma emoção que meus olhos se encheram de água. Conforme eu andava alternava o olhar entre a areia, o céu, a estrada e o mar, e cada vez que eu olhava o mar me surpreendia como se fosse a primeira vez que via aquelas ondas, aquela espuma, aquele azul, aquela linha onde ele parece tocar o céu e se torna infinito. Então comecei a pensar sobre como aquelas horas estavam sendo perfeitas para mim, até mais perfeitas do que se estivesse calor, a praia cheia de um monte de gente falando e bebendo, àquelas horas estavam sendo perfeitas porque eram apenas eu e a natureza, lembrei o quanto a natureza me faz bem, e o quanto eu preciso estar perto dela, lembrei que quando eu tinha uns 8 ou 9 anos eu pedia licença ao mar para entrar nele, como se o mar fosse vivo, como em sinal de respeito a tudo aquilo que era tão superior a mim. E lembrei, então, que era o meu aniversário, que eu estava crescendo, e fiquei com medo de crescer e esquecer essa necessidade, como eu quase tinha feito, de esquecer que eu fico triste quando passo muito tempo longe da natureza pura, de esquecer a importância e a simplicidade e a perfeição de tudo aquilo, de crescer e me atolar com todas as minhas responsabilidades e desejos e nunca mais largar tudo em casa para ir andar descalço na areia da praia em uma tarde de inverno. Senti meu coração ficar pequenininho de medo, mas então uma onda do mar, um pouco maior do que as outras, molhou meus pés e eu olhei para o mar e foi como se ele dissesse “eu sempre vou estar aqui” e então eu percebi que só iria depender de mim.